22 de nov de 2012

Poema do Artesanato




Minha poesia é inglória,

vive em bancas incertas.
Do pódio e das vitórias,
traduz histórias discretas.



Nos dizeres, incontida,
minha poesia é de lua,
às vezes, reza vestida
às vezes, discursa nua.



Meu poema é artesanato.
E sai-me pronto das mãos.
Coso-o, com muito cuidado,
cirzo-o, sem distração.



Às vezes, vem das sucatas
de contas e velhos botões,
de renda e fitas baratas,
da fieira dos piões.



Que ressona atrás da porta,
tem os pêlos de um cão,
no final das linhas tortas
traz pena, paina, algodão.



Tem cores das violetas,
pose de pedra-sabão.
Nas asas da borboleta,
nem coloca os pés no chão.



O poema-artesanato
traz ponto-cruz, bordaduras.
É sempre um simples retrato
de uma notória figura.

Maria da Graça Almeida

2 comentários:

  1. Estive no blog da Fátima Amorim e na correria não percebi que o poema do artesanato e de tua autoria Maria da Graça Almeida, disse à Fátima e digo a vc que fiquei encantada co ele!
    De fato vc é de grande talento!
    E eu amo poesias!
    Prazer em conhece-la!
    Um abraço carinhoso.
    Ivany

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ivany, não se preocupe... Obrigada pelo contato, vc é muito delicada. Visite-me no Recanto das letras ou no usina de letras, lá há muitos poemas meus, ou então em meu blog:esperasazuis.blogspot.com.br
      Um grande abraço.

      Excluir

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